Qualidade de vida estendida

Daniela Cachich, vice-presidente de marketing da PepsiCo Brasil, fala sobre as tendências que considera irreversíveis pós-coronavírus e seu impacto nos líderes do futuro

Débora Yuri

5 de março de 2021

DANIELA CACHICH
Em sua carreira, atuou por quatro anos na Unilever, de onde seguiu para a Heineken. Na cervejaria, foi diretora de marketing para Premium Brands, entre 2011 e 2014, e vicepresidente de marketing, de 2014 a 2016. Em novembro daquele ano, ingressou na PepsiCo, como vicepresidente de marketing da divisão Foods. É formada em Administração pela Universidade Mackenzie, tem MBA em marketing pela ESPM e curso de extensão no Insead. Atua como membro do conselho consultivo do Instituto Free Free desde outubro de 2019.

O arco-íris que iluminou a avenida Paulista em 14 de junho de 2020 já virou uma imagem emblemática do mundo sob pandemia. Para a PepsiCo Brasil e suas marcas, entretanto, ele é apenas uma das pontas do iceberg — um exemplo potente das transformações que se consolidarão no trabalho e na indústria de comunicação daqui em diante. Liderada por Daniela Cachich, vice-presidente de marketing da empresa, a campanha “#1kiss1donation” arrecadou R$ 1 milhão para instituições de apoio à comunidade LGBTQIAP+. Com a Parada do Orgulho presencial de São Paulo cancelada, entrou em ação a Global Rainbow. “Doritos pintou o céu com as cores do arco-íris em feixes de luz, representando o apoio à causa mesmo sem a presença física”, ela recorda. Daniela falou ao Meio & Mensagem sobre as tendências que considera irreversíveis pós-coronavírus, seu impacto nos líderes do futuro e como a PepsiCo vem se preparando para esse novo cenário.

Meio & Mensagem — Como você projeta o futuro do trabalho pós-Covid 19 no Brasil?
Daniela Cachich —
Esse futuro já começou a dar seus primeiros passos, a partir das adaptações e de um olhar muito atento às necessidades de saúde, bem-estar e segurança das nossas pessoas. As iniciativas que já estão em vigor na empresa antecipam tendências de mercado que priorizam a qualidade de vida, indo além da flexibilidade de local e horário de trabalho, trazendo também benefícios que impactam as famílias e a rotina pessoal.

M&M — De que forma a PepsiCo está se preparando para esse futuro?
Daniela —
Entre as ações que já foram aplicadas por aqui, os funcionários do escritório poderão flexibilizar seu horário de trabalho, para manter uma organização mais equilibrada entre vida profissional e pessoal. A equipe também poderá escolher de onde trabalhar — de casa, do escritório, de um café. Foi criada ainda uma licença especial não remunerada de até 12 meses para cuidar de um ente querido, com permanência do plano de saúde e seguro de vida.

M&M — Em relação ao impacto da pandemia no trabalho, quais tendências são irreversíveis?
Daniela —
Diversidade e inclusão já são realidades de muitas companhias hoje, não podem mais ser uma retórica, precisam estar no DNA das empresas. Não é à toa que o ESG (Environmental, Social and Corporate Governance) teve uma aceleração devido à pandemia e é um dos valores mais buscados pela comunidade de investidores. Outra tendência que acredito ser irreversível é o sistema híbrido de trabalho, presencial e remoto. Flexibilidade de horário também veio para ficar. Muitas companhias notaram não apenas mais engajamento dos profissionais como aumento da produtividade. O empreendedorismo também despontou durante a pandemia. Na PepsiCo, temos uma iniciativa que apoia o empreendedorismo feminino, em parceria com a Fundes Latin America. No Brasil, onde as mulheres representam a maioria da população e lideram quase 40% das famílias, nosso plano é auxiliar o desenvolvimento de 2.000 mulheres empreendedoras até 2025. Por meio desse programa, elas têm acesso a cursos gratuitos e, após a primeira etapa, podem receber mentoria personalizada de uma funcionária voluntária da empresa. Por fim, cito os consumidores mais conscientes e engajados. Hoje, eles estão muito mais preocupados com o que existe por trás de um produto ou serviço, com o que a empresa acredita e defende, e como lidou e cuidou de todos, principalmente frente à pandemia.

M&M — Como a empresa trabalha as questões de diversidade e inclusão?
Daniela —
A PepsiCo tem um olhar para a valorização da maior representatividade e para o potencial de “ser você mesmo”, com programas específicos dentro e fora da companhia. Por isso, atua em três frentes: aumentar a diversidade, promover um ambiente inclusivo e promover impacto positivo na sociedade, fazendo a diferença em toda cadeia produtiva. No quesito de sustentabilidade dos negócios, a diversidade é também um diferencial, gerando mais inovação e conexão com os diferentes perfis de consumidores e pontos de vista.

M&M — E sobre seu trabalho à frente das marcas da PepsiCo? Quais são os pilares?
Daniela —
A prioridade é mostrar o que as nossas marcas estão fazendo para contribuir com um mundo melhor. Nosso branding é construído com base em propósito, em apoio à diversidade e inclusão, em incentivo à proteção de recursos naturais e sustentabilidade, em cuidado com as comunidades. Doritos é um exemplo: desde 2017, a marca faz um trabalho consistente e coerente com Doritos Rainbow, apoiando ONGs voltadas à comunidade LGBTQIAP+ e promovendo um diálogo de fomento ao respeito, às diferenças e ao lado “bold” de ser você mesmo. Outro é eQlibri, marca que atua de forma consistente no suporte a instituições, projetos e ações, incentivando o empoderamento feminino e a equidade de gênero.

M&M — Como você enxerga os líderes do futuro? Quais serão suas principais competências e seus maiores diferenciais?
Daniela —
Em um cenário híbrido, presencial e remoto, como vivenciamos hoje, acredito que os líderes do futuro devem ter não apenas as hard skills, mas principalmente as soft skills. Entre as principais características, estão: pensamento crítico, conhecimentos multidisciplinares, visão global dos mais diversos cenários, preparo para mudanças e adaptações constantes, além da capacidade de inspirar e de gerir pessoas de forma resolutiva.

M&M — De que maneira a empresa está formando essas lideranças?
Daniela —
Vejo o futuro muito mais conectado com a empatia, ou seja, com o se colocar no lugar do outro e sentir a dor do outro para, de fato, mover ações que são transformadoras. Falo isso do ponto de vista de uma sociedade cada vez mais volátil e do comportamento do consumidor. Ninguém é o mesmo que era no começo de 2020, antes de tudo isso nos impactar.

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